sábado, 18 de fevereiro de 2012

Kaia na Gandaia. Mas, cuidado. É carnaval


de: José Maria Souza Costa



Brilho. Plumas. Paetês. Sorrisos. Mulheres Peladas. Drogas. Analgésicos, juntos e misturados com uísque, pó e guaraná.
Galanteios, prostituição, promiscuidades, corrupção, enfim, um enredo de alucinações, que aterriza sobre a terra, e disfarçados de alegria, toma de assalto e sem arma, a alma, para charfurdar na memória da bizarrice, os saracuteios dos remelexos em um corpo humano.
É carnaval, é tempo de pular e copular entre gargalhadas e sorrisos. E, eis que as Dorotéia revelam-se, explodem dos armários, e exibem as suas petecas. Elas serpenteiam-se, escrachando o bom senso  e borrando o senso comum, nesse vai e vem psicótico, por menstruação atrasada, estupram a Colombina.
Samba, regue, xote, maxixe, vale tudo, tudo é válido. Só não pode é deixar o pingolim desprotegido, senão fica a espirrar, rumo a uma cossa, que não sabe-se lá por que, desta periquitar-se tanto, rumo a um coração, que finge está "pegando fogo".
É carnaval, festa profana, dizem os puritanos, cuidado para não abortar na saia, está bem, isso não é problema, então, caia na gandaia. Observe, para não ter a porta arrombada, senão o gozo derrama, vaza, e não tem outros festivais de cores e fanfarras.
Caia na gandaia, sem ser preciso masturbar-se com a mente, pegue leve, não desafine com o seu reco-reco. Mas, não existe a necessidade de enfiar constantemente em pelo nu, a baqueta na bumba.
Confesso que não irei à Avenida, nem seguirei o Trio elétrico, nem farei trenzinho em clubes carnavalesco, estou obrigado a lamber uma "Antropologia" que o Direito "impôs-me", o que em quimera de adolescente, faz-me sonhar com dias melhores.
Confesso mais. Estou sentindo-me um palhaço  sem circo. Um anjo de asa quebrada. Uma puta sem bordel, enfim, um rosto borrado com as tintas da tristeza.
Mas, tudo bem, bebem, ao menos colarei o ouvido à alma, e deixo esta, por entre o ventre da janela berrar:

                      " As águas vão rolar
                         Garrafa cheia,
                         Eu não quero ver sobrar.
                              
                            Eu, passo a mão no saca-saca- saca rolha
                         Eu bebo até, me afogar.
                              
                            Deixa
                              
                                   As águas
                              
                                                Rolar.
                         As águas vão rolar.........................
..........................................."


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Um Rio Em Minha Cidade




de: José Maria Souza Costa



O Rio que passa na minha Cidade.
É o Rio da minha Cidade, que lavou-me
Na mocidade, que bebeu a minha Cidade,
E emoldura, os olhares da Mocidade.

O Rio que passa na minha Cidade.
Outrora fora margeado por aningais.
Dele saltavam peixes em piracemas com as noites enluaradas,
E céus estrelados,
Aromatizados com fruta ingá,
E flores dos manguezais.

O Rio que passa em minha Cidade,
Enfeitava-se de barcos, botes, iates e igarités.
Até hoje, engorda-se com marés correntes,
Em corrente rumo a tantos outros afluentes. E assim...
Derrama-se por igarapés, e beijam-se em buritizais... o Mearim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Uma Arandela Em Sua Janela.





de: José Maria Souza Costa


Eu sou assim:
Sem rima, sem verso, sem página e sem métrica,
Sem medo, sem tédio, sem poesia e sem poeta.
Sou uma pedra bruta não levado a sério, exposta
No contratempo de um evento, que não enfeita, não
Dá colheita e engaveta. Mas, não  vegeta.

Eu sou um trem descarrilhado, flutuando em uma onda.
Sou o "flasclair", que atrapalha a tua conga, e que sorrir
Deslizante e fingidiço, como faca de ponta.
Eu sou, a tesão adormecida que não levanta mais.
Sou o monossílabo da tônica, que não aceita adolescente
Dissimulado demais, embriagado com quaraquaquá.

Eu sou o ecologista, apaixonado pela fumaça dos carros.
Sou o atleta de "cristu", que fingindio, busca a taça e
Por entre a Bíblia agrada a massa, e depois afoga-se
Com o seu copo de cachaça.
Eu sou a esquina que corrompe o guarda, e que a justiça tarjada, aplaude, afinal
Nesse motel de sedução em fraude, quando repartem-se em blocos,
O melhor da fantasia, é a farda.

Eu sou o riso fácil e debochado, escancarado em bocas.
Isso agrada, e a vida traduz-se apenas em um vulto, uma marmelada.
Não tenho culpa, cada um constrói a sua lista, e expõe a sua pista.
No País do "big brother", qualquer fanfarra, é artista.

Eu sou assim:
Um escrachado-debochado, sem concordancia verbal,
Sou Jobim-Villa Lobos,sou Buarque, sou Elis,
Não sou banzé, sobrevivo de moeda e,
Quem gosta de miséria é poeta.
Assim, sinfonizam os pensamentos, e vendem-se os fingimentos.

Eu sou o riso de quem sabe chorar, sem arrependimentos,
Sou o batom, nesse celeiro, que todos chamam de rebuceteio,
Rabiscando o mapa do zombeteio.

Eu sou a anarquia, e você  a linha... a via.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

in Convite



de: José Maria Souza Costa



Se quiseres,....... lhe dou o meu endereço,
Desenho nele o fone,..... e o "cepi" da rua,
Rabisco os sonhos indelevéis num apreço,
E deixo navegar a imaginação, rumo a tua.

Se quiseres, mostro-lhe, da janela da fixação

Que a minha mente berra,.. esperando a tua,
Por que não fixei, nas arandelas da mutação
A claridade densa,..... de um brilhar sem lua.

Se quiseres,..... lhe darei desejos e sentimentos,
Abraçaremos as fantasias,.. como adolescentes,
E derramaremos sobre a vida os contentamentos.

Mas,.... farei do teu aroma, um Sol, por artista,
E navegarei nos "emeios" de uma suposta lista
Que invade a minha alma,....... como entrevista.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Nema, Águas de Igarapés



de: José Maria Souza Costa


Igarapés de águas turvas, barragens ou tapagens.
Seja qual for o epiteto que lhes bordarem assim.
Vertente indelével, que enfeita-se com ramagens,
E aprofunda-se num rio sem fim, regendo Mearim.

Curvas, croas, canoas, tudo ali a beijar-te

O manto em correnteza exposta, rumo Norte,
Que serpenteia o teu encanto, em enfeitar-te
Tanto, e reluzir mais forte, no Lago da Morte.

Um Vale enfeitado com curiós cantante
A sinfonizar teu leito, e delirar, portando-se
Como um amado Infante, em passo avante.

Que delirarás  com marés possante, e ante
Em águas borrifantes, de um brilhar de olhar
Vazante, que não refugas ante, a tua amante.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

AFRICA



de: José Maria Souza Costa


África, peregrina Soberana, a pedir e suplicar,
Com veias expostas, e afogada em lágrima,
Com gemido preso e um eterno sonhar
Por uma igualdade que não vem. Que lástima!

África, é uma dor, do outro lado do Atlântico,
É um clamor, derramado em fome de aceitação
De uma burguesia, que a contempla em cântico.
É a tradução do horripilante, com o Outro irmão.

É o farrapo humano, exposto na televisão,
É a lágrima da dor, sem o retrato facial.
São as nádegas do horror, o modelo comercial.

É o sangue assassinado, enrolado no lençol do medo.
É a sacola capitalista, imolando a vida; é a corrupção.
É a morte, é a tortura feminina, é a dor da  degradação.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Poema

Autor: Cleilson Fernandes


Hoje é dia de Iemanjá

Cantos se ouvem, rufam tambores

Flores e água vão se encontrar

Nos terreiros devotos, fogos no céu

Sincretismo e encanto a se misturar

Shuê, shuê, shuá, shuá



Cleilson Fernandes
Homenagem aos de religião de matriz afrobrasileira devotos da rainha do mar

Arari & São Luís-MA